Mostrar mensagens com a etiqueta ZZ - Lançamentos/ Prémios. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta ZZ - Lançamentos/ Prémios. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 31 de maio de 2017


http://www.crearensalamanca.com/poemas-portugueses-para-gloria-fuertes-en-su-centenario-salvado-oliveira-mateus-barata-martis-y-aroso/


O portal CREAR EN SALAMANCA editado por José Amador Martín, na sua edição de hoje - 31/5/2017- publicou os poemas-homenagem a Gloria Fuertes escritos pelos autores portugueses: António Salvado, Albano Martins, Victor Oliveira Mateus, Maria de Lurdes Gouveia Barata e Eduardo Aroso na tradução de Alfredo Perez Alencart.  Os referidos poemas constam do último número da revista "El Cobaya"..
.
Como não devem conseguir entrar pelo link daqui, entrarão, seguramente, por qualquer outro lado  :)  , porque eu vou continuar a procurar a minha pausa...
.
.
.

segunda-feira, 24 de abril de 2017



A coleção contramaré, da Editora Labirinto, dirigida por Victor Oliveira Mateus e Daniel Gonçalves, fez sair hoje o último livro de Henrique Levy: "Noivos do Mar". Esta obra tem Prefácio de Miguel Real e Posfácio de Inez Andrade Paes. Na mesma coleção sairá, dentro de dez/ quinze dias, uma Antologia Poética do poeta brasileiro Cláudio Neves. Esta Antologia foi organizada por Pedro Sette-Câmara.
.
Outros destaques:
. Será apresentada esta semana em Madrid o último número da Revista Alora, la bien cercada com o meu poema "Aquilo que não tem nome", em português e na versão castelhana numa tradução do poeta catalão José Ángel Garcia Caballero;
- O Ayuntamiento de Ávila fará sair em breve o Nº 27 da Revista EL Cobaya integralmente dedicada a Glória Fuertes, no centenário da sua morte. Esta Revista, dirigida por José Muñoz Quirós, contará com colaborações prestigiadas como as de Juan Contramestre, Antonio Gamoneda, Antonio Colinas, etc. A minha colaboração nesta Revista, com o poema "Pássaro raro com leveza ao fundo", aparecerá em castelhano numa tradução do Prof. Dr. Alfredo Pérez de Alencart;
- A 24 e 25 de outubro deste ano apresentarei, no XX Festival Ibero-Americano de Poesia, em Salamanca, a Antologia Raiz de Piedra y Letra . Esta obra bilingue, com uma monumental colaboração de poetas de países de língua castelhana e portuguesa da Europa e das Américas, tem a Coordenação da Victor Oliveira Mateus e tem como tradutores, para além do coordenador, Jacqueline Alencart, Pedro Sánchez Sanz, Marta López Vilar e Rogério Viana;
- A Cintilações: Revista de Poesia e Ensaio, Nº 2, 2017, terá a sua apresentação ao público também em outubro deste ano e, apesar de manter o mesmo coordenador do Nº 1, passou a ter o seguinte Conselho Editorial: Poesia e Ensaio (Victor Oliveira Mateus e Daniel Gonçalves), Prosa (Risoleta Pinto Pedro), Crítica Literária (Hugo Pinto Santos), Caderno de autor ou temático (Maria João Cantinho);
- Em breve mais notícias sobre os próximos números da contramaré, um dos quais sairá já em maio.
.
.
.

domingo, 2 de outubro de 2016



Jessica Falconi e Victor Oliveira Mateus na lançamento de "Cintilações: Revista de Poesia e Ensaio", Nº 1, Setembro 2016.
A sessão decorreu em Lisboa, na Livraria "Pó dos Livros", no dia 1 de outubro de 2016.
.
.

segunda-feira, 19 de setembro de 2016



"Cintilações: Revista de Poesia e Ensaio ", Nº 1 setembro 2016.

Coordenação: Victor Oliveira Mateus

Data da Apresentação ao Público: dia 1 de outubro (sábado), 16:00, na Livraria "Pó dos Livros" - Avenida Duque de Ávila 58 A Lisboa

Apresentação: Jessica Falconi


COLABORADORES:

Adalberto Alves, Albano Martins, Alberto Pereira, Alberto Riogrande, Alexandre Bonafim (Brasil), Alice Fergo, Amadeu Baptista, Amadeu Liberto Fraga, Ana Mafalda Leite, Ana Maria Puga, André Alves, António de Almeida Mattos, António Cândido Franco, Antonio Carlos Sechin (Brasil), António Ferra, António José Queiroz, António Salvado, Artur Coimbra, Carlos Afonso, Casimiro de Brito, Cecília Barreira, César A. Miranda de Freitas, Cláudia Lucas Chéu, Cláudio Lima, Daniel Gonçalves, Ernesto Rodrigues, Eugénia Bettencourt, Iacyr Anderson Freitas (Brasil), Inez Andrade Paes, Isabel Cristina Pires, Jeannette L. Clariond (México), Jessica Falconi ( Itália ), João Rasteiro, Jorge Velhote, José Jorge Letria, José Viale Moutinho, Julia Barella (Espanha), Julio Ferreira Leite, Luís Aguiar, Luís Fernando Chueca Field (Peru), Luís Filipe Pereira, Luís Filipe Sarmento, Luís Quintais, Maria Augusta Silva, Maria José Quintela, Maria Quintans, Marisa Martinez Pérsico (Argentina - Itália ), Mbate Pedro (Moçambique), Montserrat Villar González (Espanha), Orlando Barros, Paulo Inocêncio Moreira, Paulo Pêgo, Pompeu Miguel Martins, Renata Pallottini (Brasil), Renato Epifânio, Ricardo Gil Soeiro, Ricardo Marques, Rui Rocha (Macau), Ruy Espinheira Filho (Brasil), Samuel Pimenta, Sergio Laignelet (Colômbia - Espanha), Vicente Alves do Ó, Xavier Oquendo Troncoso (Equador), Xosé Lois Garcia (Espanha - Galiza).
.
.
Nota - os poetas de Língua Castelhana foram todos traduzidos para Português por Victor Oliveira Mateus à excepção do poema de Montserrat Villar González que foi traduzido por Jorge Fragoso. O poema de Xosé Lois Garcia virá em Língua Galega, O ensaio de Jessica Falconi foi escrito diretamente em Português
.
.
.

quarta-feira, 3 de agosto de 2016


Na última semana do próximo mês de setembro, será apresentada em Lisboa, em local e dia a confirmar
"CINTILAÇÕES: REVISTA DE POESIA E ENSAIO", Nº1 setembro 2016.

Coordenação: Victor Oliveira Mateus
Apresentação a cargo de: Jessica Falconi


A Revista contará com as colaborações dos seguintes POETAS E ENSAÍSTAS:
.
Adalberto Alves, Albano Martins, Alberto Pereira, Alberto Riogrande, Alexandre Bonafim, Alice Fergo, Amadeu Baptista, Amadeu Liberto Fraga, Ana Mafalda Leite, Ana Maria Puga, André Alves, António de Almeida Mattos, António Cândido Franco, Antonio Carlos Secchin, António Ferra, António José Queiroz, António Salvado, Artur Coimbra, Carlos Afonso, Casimiro de Brito. Cecília Barreira, César A. Miranda de Freitas, Cláudia Lucas Chéu, Cláudio Lima, Daniel Gonçalves, Ernesto Rodrigues, Eugénia Bettencourt, Iacyr Anderson Freitas, Inez Andrade Paes, Isabel Cristina Pires, Jeannette L. Clariond (1), Jessica Falconi, João Rasteiro, Jorge Velhote, José Jorge Letria, José Viale Moutinho, Julia Barella (1), Júlio Ferreira Leite, Luís Aguiar, Luís Fernando Chueca Field (1), Luís Filipe Pereira, Luís Filipe Sarmento, Luís Quintais, Maria Augusta Silva, Maria José Quintela, Maria Quintans, Marisa Martínez Pérsico (1), Mbate Pedro, Montserrat Villar González (2), Orlando Barros, Paulo Inocêncio Moreira, Paulo Pego, Renata Pallottini, Renato Epifânio, Ricardo Gil Soeiro, Ricardo Marques, Rui Rocha, Ruy Espinheira Filho, Samuel Pimenta, Sérgio Laignelet (1), Vicente Alves do Ó, Xavier Oquendo Troncoso (1), Xosé Lois Garcia (3).
.
(1) Poetas e Poetisas de: México, Espanha, Peru, Argentina, Colômbia e Equador traduzidos para português por Victor Oliveira Mateus.
(2) Poetisa espanhola traduzida para o português por Jorge Fragoso.
(3) Poeta espanhol que virá em Língua galega.
.
.
A equipa que esteve envolvida neste projeto agradece a todos os colaboradores a generosidade demonstrada. No meu caso específico, agradeço também a todos os poetas estrangeiros que me entregaram os seus poemas e confiaram no meu trabalho de tradução. Espero não os ter desiludido, já que os originais são autênticas obras de arte. Obrigado a todos!
.
.
.

sexta-feira, 24 de junho de 2016


Amanhã dia 25 de junho (sábado), pelas 16:30H, na Biblioteca da Casa do Alentejo, Rua Portas de Santo Antão, 58   1150-268 Lisboa, efetuar-se-á o lançamento do livro Palimpsesto (Deriva Editores)


Autor da obra: Ricardo Gil Soeiro

Apresentação: Victor Oliveira Mateus

Leitura de poemas: Pedro Lamares
.
.
.

domingo, 19 de junho de 2016


Apresentação pública do livro Pornographia de Cláudia Lucas Chéu, no Bar do Teatro "A Barraca", no dia 18/06/2016. Nas mesas, e da esquerda para a direita: Victor Oliveira Mateus, Cláudia Lucas Chéu, Miguel Real, Maria Quintans e Albano Jerónimo. Esta obra foi publicada na coleção contramaré da Editora Labirinto.
.
.
.

sábado, 18 de junho de 2016

Apresentação de livro.


     Palimpsesto de Ricardo Gil Soeiro ( Deriva Editores)
.
    O lançamento ocorrerá no próximo dia 25 de junho (sábado), a partir das 16:30H, na Biblioteca da Casa do Alentejo, Rua das Portas de Santo Antão, 58 -  1150 - 268 Lisboa.
.
      A apresentação da obra estará a cargo de Victor Oliveira Mateus.
.
.
.

quarta-feira, 1 de junho de 2016



     A coleção contramaré , da Editora Labirinto, coordenada por Victor Oliveira Mateus e Daniel Gonçalves apresentará no próximo dia 18, pelas 22:00H, na "Barraca" em Santos, o seu próximo número: Pornographia de Cláudia Lucas Chéu. A apresentação estará a cargo de Miguel Real. Os textos serão ditos pelo ator Albano Jerónimo e pela poeta Maria Quintans. Da festa encarregar-se-á a DJ Mag Rodrigues...

___________

Números já publicados pela contramaré e que podem ser adquiridos diretamente à Editora ou encomendados: em Lisboa na "Pó dos Livros", "Ferin" e "Bulhosa"; no Porto na "Fnac" (Santa Catarina); em Braga na "Centésima Página"...

Nº 1 Temor Único Imenso de Rui Almeida
Nº 2 Todos os Pecados do Mundo de Cecília Barreira
Nº 3 Vida Breve de Amadeu Baptista
Nº 4 Da Eterna Vontade de Inez Andrade Paes
Nº 5 Ofício de Transparências de Maria José Quintela
Nº 6 A Língua de Esperanto dos Pássaros de Isabel Aguiar
Nº 7 Vida sem Demão de Paulo Pego
Nº 9 Corpo Contínuo de Maria José Quintela


No Prelo:

Nº 8 Tristes Tópicos de José Jorge Letria
.
.
.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016


Está à venda no Brasil - e também em algumas livrarias de Lisboa - o Primeiro Volume de "Ensaios sobre a Obra de Maria Teresa Horta", A obra é organizada pela Profª Dra. Conceição Flores da Universidade da Cidade do Natal, Estado do Rio Grande do Norte, Brasil, e conta com a colaboração de diversos ensaístas brasileiros e alguns portugueses.
.
Autores dos vários trabalhos englobados neste volume: Constância Lima Duarte, Alexandre Bonafim, Ana Luísa Amaral, Ana Raquel Fernandes, Ana Santana Souza, Angélica Soares, António Carlos Cortez, Cláudio de Sá Capuano, Conceição Flores, Fábio Mário da Silva, Gabriel Arcanjo Santos de Albuquerque, Ida Alves, Ilane Ferreira Cavalcante, Ilca Vieira de Oliveira, Joana Duarte Bernardes, Jorge Marques, Luís Maffei, Maria do Rosário A. Pereira, Maria Lúcia Dal Farra, Marlise Vaz Bridi, Miriam Bittencourt, Mônica A. Heloane Carvalho de Sant'Anna, Osmar Soares da Silva Filho, Raquel Menezes, Victor Oliveira Mateus.
.
.
.

domingo, 17 de janeiro de 2016

 Já à venda em Espanha:

"Por la carretera de Sintra,Antología de poesía portuguesa contemporánea", Edición y traducción de Marta López Vilar, Ed. La Lucerna, 2015.
.
 Poetas antologiados por ordem cronológica de nascimento: António Ramos Rosa, Herberto Helder, Albano Martins, Manuel Alegre, António Salvado, Maria Teresa Horta, Manuel Gusmão, Graça Pires, José Agostinho Baptista, Nuno Júdice, José do Carmo Francisco, Victor Oliveira Mateus, Gil de Carvalho, Ana Luísa Amaral, Maria do Rosário Pedreira, Fernando Pinto do Amaral, Rui Pires Cabral, Rui Almeida, Ruy Ventura, José Luís Peixoto, Catarina Nunes de Almeida.
.
.
.

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Após a entrega dos Prémios PEN relativos às obras publicadas em 2014: Sra. Secretária de Estado da Cultura, Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores, Presidente do PEN Clube Português, os autores premiados e os membros dos vários júris (Auditório Carlos Paredes da S.P.A., 4 de dezembro de 2015).
.
.

domingo, 6 de dezembro de 2015

(Este texto foi lido pelos seus relatores no passado dia 4 de dezembro de 2015 aquando da entrega dos Prémios Literários do PEN Clube de 2014, numa cerimónia - no Auditório Carlos Paredes da S.P.A. - presidida pela Sra. Secretária de Estado da Cultura, pelo Presidente da Sociedade Portuguesa de Autores e pela Presidente do PEN Clube Português. O texto fundamenta a atribuição do Prémio PEN de Poesia por um júri a que os relatores pertenceram.)
.
.
                          Prémio P.E.N. de Poesia para obras pulicadas em 2014

                       Sociedade Portuguesa de Autores, 4 de Dezembro de 2015
.

O Júri constituído por Victor Oliveira Mateus (Presidente), Casimiro de Brito e Paula Mendes Coelho decidiu, por unanimidade, atribuir ex-aequo, o Prémio PEN 2014 de Poesia às obras O Vidro, de Luis Quintais (Assírio & Alvim) e a O Tempo é Renda, de Isabel Mendes Ferreira (Labirinto de Letras).
Trata-se de duas obras, que não obstante as diferenças óbvias existentes entre elas, se apresentam com uma forte originalidade no panorama geral da poesia portuguesa contemporânea, privilegiando acima de tudo o fazer poético, o trabalho sobre a linguagem, sem os quais a poesia não existe.
Em ambos os casos se trata de leitores cultos, que ousam entender a escrita poética como um combate, como um “campo de batalha”.
I
Ainda que Quintais tenha confessado recentemente que O Vidro resultou sobretudo de um processo inconsciente, intuitivo, enigmático, e que esse foi o seu “Dia triunfal”, bem sabemos que tal como no caso de Pessoa, tudo se passa de maneira algo diferente. Muitos outros dias de angústia e trabalho árduo, de combate com a palavra estão provavelmente na origem deste texto, que constitui uma longa revisitação ao passado, ou antes uma curiosa “entrevista”, levada a cabo por um sujeito poético arquivista, colecionador, anotador de fragmentos, tal como o trapeiro de Baudelaire, pretexto aqui para um diagnóstico lapidar dos tempos em que vivemos e que deixa o leitor sem fôlego, e sempre em alerta. A violência, a guerra, as metrópoles do asfalto e da solidão e um tempo fundamentalmente técnico que Baudelaire já tinha magistralmente intuído, de onde o afecto e o humano foram banidos, tudo isso surge numa forma condensada, intensa, dada a mestria com que sugere, mais do que diz, veiculando uma dimensão política, que nos apraz aqui sublinhar.
Apenas um exemplo da coerência e do apuramento da poética de Quintais. Se, em Depois da Música (editado em 2013), havia uma alusão bem explícita ao holocausto, por exemplo em poemas como “Noite e Nevoeiro”, aqui, nesta obra, surge apenas a alusão, a sugestão dessa atrocidade maior, agora fatalmente e
sub-repticiamente incorporada e podendo pairar sobre o tempo presente, no que pode ser visto celaniamente como uma “escrita do não escrevível”:
“[…]De estilhaços/ é a voz de vidro e o céu deglutido, esventrado,//como a rede rota que faz precipitar a história/e engole a cidade em som e fúria e lamento//e regresso: o caminho invertido das chaminés/onde o fumo se transforma em corpos//e os corpos saem dos fornos/e começam a andar de novo na estranha terra//e dos campos saem depois serenamente.” (p. 21-22)

Este longo poema “Vidro” vai ainda articular-se de maneira exímia com uma segunda parte intitulada “Ecolalia”, que tal como este título sugere, constitui um eco dos principais topoï da primeira, desta feita num conjunto de 21 pequenos textos em prosa poética, numa nova reconfiguração de experiências dolorosas presentes em filigrana na primeira parte.
De facto, se anteriormente a poesia de Quintais ainda conseguia riscar “a palavra DOR no quadro negro”, nesta última obra ela prova não ser capaz de apagar, de eliminar essa dor. A “imprecisa melancolia” (título da primeira obra de 1995) transformou-se em “negro sol”. Com efeito, o olhar melancólico e alegórico do poeta flâneur, do trapeiro baudelairiano é aqui levado às últimas consequências, restando-lhe apenas recompor os estilhaços que sabe desprovidos de significado, teimando em reconfigurá-los na esperança de algo novo, de algum consolo que todavia sabe não existir, muito menos quando o sujeito poético se imagina a responder a um filho:
“E ao teu filho?//Dir-lhe-ás que não há alma,/que um sopro suportando a coerente//carne sobre as suas espáduas/é maligno subterfúgio?”(pp.37-38)

II
Entre poesia e prosa, a escrita torrencial de Isabel Mendes Ferreira desafia a capacidade perceptiva do leitor, confunde deliberadamente a intelecção sempre tão ávida de linearidade e de um sentido a dar-se sem pejo nem véus, joga - através de um cultismo denso e de um sincretismo temático - com a propagada necessidade de univocidade e/ou de inteligibilidade imediata. A poeta retoma assim a ideia, tão cara à modernidade, de tecedura poética e, a partir daí, ensaia uma arquitectura singular e heterodoxa, pelo que não hesita em deitar mão a todo o tipo de recursos estilísticos: assonâncias e exercícios de paronímia (Cf. p 52: arrasta/ arrasa); repetição de palavras (Cf. p 170: fiz-me inóspito. fiz-me
medo); expressões rondando o jargão (Cf. p. 110: fumo de fio a pavio), contrastando muitas vezes com um registo fortemente erudito…. Aliás, não é por acidente que o título desta obra refere a imagem da renda, e essa urdidura não é apenas formal, ela remete igualmente para um trabalho da memória, simultaneamente labiríntico e aracniano, onde os temas se aprofundam, se abandonam - muitas vezes abruptamente - e se retomam como um rendilhado feito no tempo e a partir do tempo. Renda e não rede, que envolve… sem aprisionar. O tempo é, portanto, o solo matricial desta poesia, assim como o aro que emoldura toda escrita poética: "e o tempo é uma variável que não dominamos. não dominaremos nunca. como se viajássemos numa pequena barca por mar/ encapelado. umas vezes somos salvos e outras/ engolidos pelas águas."  (p.114). O tempo, ora na sua dimensão salvífica, ora como abismo destruidor, é o território onde a existência se abre - e neste ponto é impossível não nos recordarmos de algumas das principais teses de Heidegger! - como forma de “ser-para-a-morte”, provocando no sujeito poético momentos de alegria serena e - muitas vezes também - de uma angústia desintegradora: "O tempo é renda no ventre plano da saudade/ não espero nada. sou assim como a desintegração. evento/ cardume película e animal de infância " (p. 107).
Ciente de que é da “casa dos afectos que a palavra chega”, trata-se nesta escrita de “cantar os signos”, num texto sempre aberto “profano e sagrado; profundo e raso”, e de “recolher os despojos. como quem desmente o texto e a voz num deserto que já foi corpo antigo e agitação de falcões inquietos.” (p.60)
.



Lisboa, 4 de Dezembro de 2015
.
Relatores:
Paula Mendes Coelho
Victor Oliveira Mateus
.
.

sábado, 14 de novembro de 2015

A apresentação pública do livro Efeitos de Captura de Luís Filipe Sarmento realizou-se, no dia 3 de outubro de 2015, no Café Império em Lisboa e a ela assistiram cerca de duas centenas de pessoas. Falaram acerca da obra - e do autor -, da esquerda para a direita: Virgínia do Carmo, José Pinto Bandeira, Victor Oliveira Mateus, Maria João Cantinho, Luís Filipe Sarmento, Casimiro de Brito e Mário Contumélias (Foto gentilmente cedida pelo fotógrafo Vasco Ribeiro).
.
.

terça-feira, 13 de outubro de 2015


PRÉMIOS DO PEN CLUBE PORTUGUÊS para obras publicadas no ano de 2014, COM O APOIO DO DGLAB


POESIA

Isabel Mendes Ferreira, "O Tempo é Renda" (Labirinto de Letras) ex-aequo com Luís Quintais "O Vidro" (Assírio & Alvim)

Júri: Victor Oliveira Mateus, Casimiro de Brito e Paula Mendes Coelho.


ENSAIO

Mário de Carvalho, "Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão" (Porto Editora)

Júri: Ricardo Gil Soeiro, José Pedro Serra e Paula Cristina Costa


NARRATIVA

Paulo Varela Gomes, "Hotel" (Tinta-da-China)

Júri: Rita Taborda Duarte, Paula Morão e Francisco Belard


PRIMEIRA OBRA

Gabriela Ruivo Trindade (Narrativa), "Uma Outra Voz", ex-aequo com Susana João Carvalho (Ensaio), "António Lobo Antunes: A Desordem Natural do Olhar" (Texto-Leya)

Júri: membros dos três júris.
.
.

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

divulgação...

Short List do Prémios PEN, divulgada em 28.9.2015 para as obras de Poesia, Ensaio e Narrativa publicadas em 2014.

POESIA

A Misericórdia dos Mercados, de Luís Filipe Castro Mendes (Assírio & Alvim)

Entrepoemas, de J. Alberto de Oliveira (Afrontamento)

Os Armários da Noite, de Alice Vieira (Caminho)

O Tempo é Renda, de Isabel Mendes Ferreira (Labirinto de Letras)

O Vidro, de Luís Quintais


ENSAIO

António Lobo Antunes. A Desordem do Olhar, de Susana João Carvalho (Texto - Leya)

Estética da Dança Clássica, de Frederico Lourenço (Cotovia)

Introdução ao Estudo de Fernando Pessoa, de Fernando Cabral Martins ( Assírio & Alvim)

Nova Teoria do Sebastianismo, de Miguel Real (D. Quixote)

Quem Disser o Contrário é Porque Tem Razão, de Mário de Carvalho (Porto Editora)


NARRATIVA

Hotel, de Paulo Varela Gomes (Tinta-da-China)

Os Memoráveis, de Lídia Jorge (D. Quixote)

Retrato de Rapaz, de Mário Cláudio (D. Quixote)

Uma Menina Está Perdida no Seu Século à Procura do Pai, de Gonçalo M. Tavares (Porto Editora)

Vinte Degraus e Outros Contos, de Hélia Correia (Relógio D'Água)


Observação: os nomes dos júris apenas serão divulgados depois de anunciadas as obras vencedoras dos Prémios PEN 2014.
.
.

quarta-feira, 17 de junho de 2015



O PRÉMIO CAMÕES de 2015 foi atribuído a HÉLIA CORREIA. A notícia foi divulgada hoje, 4ª feira, no Rio de Janeiro. Este Prémio, no valor de 100 mil euros, foi concedido por unanimidade por um júri formado por: Rita Marnoto, Inocência Mata, Pedro Mexia, Affonso Romano de Sant'Anna, Antonio Carlos Secchin e Mia Couto. O Prémio Camões foi instituído em 1989 por Portugal e pelo Brasil com o fim de reconhecer autores " cuja obra contribua para a projeção e reconhecimento da literatura de língua portuguesa em todo o mundo."
.
.