domingo, 22 de maio de 2016



                                    Herrad von Landsberg ( von Hohenbourg)


(fl 1160-70; d Hohenbourg, Alsace, 25 July 1195). German writer and ?illuminator. She was Abbess (1167-95) of the convent of Ste Odile in Hohenbourg. She is best known for writing (c. 1175-95) a complex pictoral encyclopedia in Latin called the HORTUS DELICIARUM (Garden of delights), a compendium of medieval learning intend for the women in her convent. This encyclopedic work covered biblical, moral and theological material. It was accompanied by hundred miniatures that depicted biblical scenes, allegorical figures and gardening hints, as well as a portrait of Herrad with the nuns of Hohenbourg. Refering to herself metaphorically as a bee, she described the book in the following way: "I drew from many flowers of sacred and philosophic writing this book... and have put it together to the praise of Christ and the Church, and to your enjoyment". The original manuscrit was destroyed by fire at the municipal library of Strasbourg during the city's bombardment in 1870, but there survive notes and line drawing copies of the illustrations made by scholars in the 19th century before its destruction. Since there is a close relationship between text and image, it has been seggested that Herrad participated directy in the illustration; however, this is by no means certain. Manuscripts that emphasized the illustrations were unusual at the time, and the Hortus deliciarum, along with Hildegard of Bingen's Scivias (1140s), was considered innovative in the 12th century. Harrad was an active teacher and a model figure in her community of women. The Hortus deliciarum is considered to have influenced the Alsace school of painting.
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http://www4.artnet.com/librayry/03/0378/T037828.asp  , que reproduz The Grove Dictionary of Art ,
Macmillan Publishers Limited, 2000.
Podem consultar também:
- Landsberg, Hortus Deliciarum (garden of Delights), 1975.
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- G. Games, Allegories et Symbols dans l'Hortus Deliciarum, 1997.
- R. Green, Herrad of Hohenbourg: Hortus Deliciarum, London, 1979.
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sexta-feira, 13 de maio de 2016



      " LXX "

Poeira, cinzas
Ainda assim
Amorosa de ti
Hei de ser eu inteira.

Vazio o espaço
Que me contornava
Hei de estar ali.
Como se um rio corresse
Seu corpo de corredor
E só tu o visses.
Corpo do rio? Sou esse.

Fiandeira de versos
Te legarei um tecido
De poemas, um rútilo amarelo
Te aquecendo.

Amorosa de ti
VIDA é o meu nome. E poeta.
Sem morte no sobrenome.


  Hilst, Hilda. Cantares. São Paulo: Editora Globo, 2012, p. 107.
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quinta-feira, 12 de maio de 2016


        "  LII  "


Eu era parte da noite e caminhava
Adusta e austera
Sem luz e aventurança.
Tu eras praia e dia
Um fogo branco
O rosto da montanha sobre a terra.

E juntamos a treva
Ao mar do meio-dia.
Cristas aguadas, pontas
Trilhas fosforescentes
Na vastidão das sombras

Mas um instante apenas.

Porisso é que caminho como antes
Adulta e austera.
Acrescida de véus me mostro aos viajantes:
Vês a mulher, aquela?
Dizem que a cara é de caliça e pedra.
Que a luz das ilusões passou por ela.


  Hilst, Hilda. Cantares. São Paulo: Editora Globo, 2012, p. 89.
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terça-feira, 10 de maio de 2016


    " XXXVIII "

Toma-me ao menos
Na tua vigília.
Nos entressonhos.
Que eu faça parte
Das dores empoçadas
De um estendido de outono

Do estar ali e largar-se
Da tua vida.

Toma-me
Porque me agrada
Meu ser cativo do teu sono.
Corporifica
Boca e malícia.
Tatos.
Me importa mais
O que a ausência traz
E a boca não explica.

Toma-me anômima
Se quiseres. Eu outra
Ou fictícia. Até rapaz.
É sempre a mim que tomas.
Tanto faz.


    Hilst, Hilda. Cantares. São Paulo: Editora Globo, 2012, p. 72.
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Nota - Cantares é o terceiro volume da obra poética completa de Hilda Hilst e é composto por dois livros publicados em momentos distintos: Cantares de perda e predileção (1983) e Cantares do sem nome e de partidas (1995).
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segunda-feira, 9 de maio de 2016



     " Na televisão, "

inundações num país do terceiro mundo,
guerras nos sítios de sempre,
o presidente francês afinal tem uma amante:
pretextos para não me lembrar da tua cara
enquanto faço do meu sofá um trono.

Aventuras de um homem só,
memória-gume.


  Erlich, David. Emergente, Novos Poetas Lusófonos. Lisboa: Livros de Ontem, 2015, p. 47 (Coordenação de Samuel Pimenta).
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sexta-feira, 6 de maio de 2016


   "  Farrapos  "

Ó céu esmagador, tu que cresces cada dia,
Já vejo ecoar nas nuvens agoniadas
O fedor da anorexia!

E sangra ainda o esqueleto,
Destapando cada galho,
Cedendo a uma sem tecto o tapete vermelho.

E enquanto ando, levanta-se-me a saia,
Como se o solo exalasse suspiros de abandono
A cada meu passo, na carnificina do Outono.


  Rupp, Ariana. Emergente, Novos Poetas Lusófonos. Lisboa: Livros de Ontem, 2016, p. 37 (Coordenação de Samuel Pimenta).
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quinta-feira, 5 de maio de 2016



    " Ascensão ao desespero "


Em tempos deixava a miséria
pousar sobre o meu ombro,
o aconchego duma velha amiga
que voltou de férias para ficar
sem previsão de tempo para a estadia.
E eu sorria porque era só isso que sabia,
recebê-la de braços abertos.

Nada me contenta;
Sair deste movimento de ascensão ao desespero
é sair do sítio no qual morei tanto tempo
mas que nunca chamei casa.
Deixar a voz morrer na garganta
por nunca poder ter palavras minhas,
arrancadas num ciclo interminável
de dar e perder tudo.

Enquanto nadava contra a maré
mas me fundia com ela
numa constante indignação conformada
para um abismo cada vez maior dentro de mim,
puxavas-me com tanta força que tenho medo
que me largues a mão e não me apanhes,
como todos os que juraram mas partiram.


   Cunha, Ana. Emergente, Novos Poetas Lusófonos. Lisboa: Livros de Ontem, 2016, p. 23 (Coordenação de Samuel Pimenta).
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terça-feira, 26 de abril de 2016


( A minha versão da tradução que Silvia Baron Supervielle fez de um poema de Alejandra Pizarnik):


    "  Poema  "

Tu escolheste o lugar para a ferida
onde agora falamos através do nosso silêncio.
Fizeste da minha vida
esta cerimónia demasiado pura.


  Pizarnik, Alejandra. Oeuvre poétique. Arles: Actes Sud, 2005, p. 121 (tradução minha).
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les yeux
parlent ou juste
yeux qui s'ouvrent
rejettent le surplus
yeux
non mots
yeux
non promesses
je travaille avec mes yeux
à construire
à réparer
à reconstruire
quelque chose de semblable à un regard humain
à un poème d'homme
à un chant lointain de la forêt


   Pizarnik, Alejandra. Oeuvre poétique. Arles: Actes Sud, 2005, p 270 (traduit par Silvia Baron Supervielle ).

domingo, 24 de abril de 2016



                 "  Poème  "


Tu choisis l'endroit de la blessure
où nous parlons notre silence.
Tu fais de ma vie
cette cérémonie trop pure.


   Pizarnik, Alejandra. Oeuvre poétique. Arles: Actes Sud, 2005, p. 121 (traduit par Silvia Baron Supervielle).
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sexta-feira, 22 de abril de 2016



rien que la soif
et le silence
nulle rencontre

prends garde mon amour prends garde
à la silencieuse dans le désert
la voyageuse au verre vide
prends garde à l'ombre de son ombre


 Pizarnik, Alejandra. Oeuvre poétique. Arles: Actes Sud, 2005, p. 73 (traduit par Claude Couffon).
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quinta-feira, 21 de abril de 2016


       "  L'amoureuse "

cette lugubre manie de vivre
cette obscure extravagance de vivre
t'entraîne alejandra ne le nie pas.

aujourd'hui tu t'es regardée dans la glace
et ce fut triste tu étais seule
la lumière hurlait l'air chantait
mais ton aimé n'est pas revenu

tu enverras des messages tu souriras
tu agiteras tes mains ainsi il reviendra
ton aimé tant aimé

entends-tu la démente sirène qui l'enleva
le bateau aux barbes d'écume
où moururent les rires
te souviens-tu de l'ultime étreinte
ô pas d'angoisses
ris dans le mouchoir pleure aux éclats
mais ferme les portes de ton visage
pour qu'après on ne dise pas
que cette femme anoureuse c'était toi

les jours te rongent
les nuits t'accusent
la vie te fait tant tant de mal
désespérée, où vas-tu?
désespérée, c'est tout!


   Pizarnik, Alejandra. Oeuvre poétique. Arles: Actes Sud, 2005, p. 25 (traduit pas Silvia Baron Supervielle )
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Nota - esta obra pertence à coleção Le cabinet de lecture coordenada por Alberto Manguel.
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quarta-feira, 13 de abril de 2016



     "  privação de nada "

E eu disse para comigo, nada me tolhe,
nada tenho que me preencha o corpo,
a língua sem um gosto que a molhe.

Ainda ontem, ontem ainda,
quando descia a rua em forma de montanha que me levava ao fim,
ao beco sem saída, uma mulher muito nova, e já com uma criança, dizia-me
"a rua acaba logo ali", porque eu caminhava só,
e àquela hora ainda não passava ninguém nas ruas,
muitas camas estavam quentes ainda.

As pedras ficaram menos lisas neste meu quase último passeio,
poliam-me o olhar, as pedras, enquanto eu segurava o rosto,
naquele equilíbrio entre um rés-do-chão devassado
e um cego pela manhã mendigando no seu posto.

Não fora o sorriso da mulher muito jovem,
(talvez de vinte anos, a pele muito branca,
cabelo castanho e liso, pintado como se fosse a meia idade)
e perdia-me a olhar aquela caixa de esmolas
que abrigava pássaros tardios.

A mulher muito jovem segurava uma boneca
como se a quisesse proteger do vento,
calçava chinelas, vestia uma saia curta,
e era nessa mesma saia que uma menina de dois anos
se agarrava com desmedida força, presa ao mundo
num pedaço de pano. E eu sorrio em segredo,
(Daquela idade lembro-me do lenço vigoroso
da minha mãe a assoar-me o medo.)

    
  Ferra, António. A Palavra Passe. Porto: Campo das Letras Editores, 2006, pp. 57-58.
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segunda-feira, 11 de abril de 2016


   "  canalização  "

Domino a infiltração que me perturba,
imagino o prazer da cama seca à espera de
algum canalizador a olhar obra futura com desdém,
há fuga de água, há ar a mais, é preciso calafetar a alma,
não vá sair de chofre o sopro que a sustém.

Tento consertar os canos,
esgotos de mim mesmo propagados pela casa,
o resto pouco importa, é o resultado dos anos.
Que é isso do poema feito no jogo da palavra barroca,
cultismo de circunstância sem lugar para
infiltrações ou para qualquer ratazana saída da toca
obstruindo a casa onde respiro e esqueço detritos
num banho de alfazema?

Não há canalizador que me valha,
estão todos ocupados com serviços importantes, urgentes até,
e eu que me arranje,
que escreva metáforas aos canos apodrecidos pelo tempo
onde sempre correu água turva por onde se esgueirou
o que sobra de mim, ao fim do dia,
não toda essa merda conspurcando enunciados, não,
antes aquela inventada para dar lugar a outra, que sobrou
por contraste, sacrifício, teimosia.

Como era bom agora uma esplanada junto ao mar,
ouvir outra água sem saber de nada, esquecer a tubagem,
tomar batidos de leite e nata com morango, sorver o café,
percorrer uma gaivota na praia com o olhar, sentir uma aragem,
pôr fim à porcaria dos poemas encharcados de quotidiano
até cheirar mal, e depois dizer "então, como é?
Que chatice! Que é que eu vou fazer,
quem é que me vem consertar o raio do cano?"

Está roto e não há quem o remende, quem o troque por outro
asséptico e novo para durar a eternidade, sem pruridos,
como se os canos não se gastassem, e as juntas,
as ligações estranhas que fazemos sem saber porquê,
sem saber que somos infiltrados e à nascença entupidos,
até dizer basta!, quero respirar, quero escrever o que me vem
à cabeça com todos os sentidos,
depois logo se vê.


  Ferra. António A Palavra Passe. Porto: Campo das Letras Editores, 2006, pp. 27 - 28.
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sexta-feira, 8 de abril de 2016


      " XXXVIII "


Ni va ni vuelve
cuando el pájaro
            vuela por volar
                        cuando vuela
                                      por ser su vuelo.

Cuando se camina sin ir
           cuando el olvido
                       borra la sombra
                                entregarse es un saber
                                          y el abandono una danza.


    Mujica, Hugo. Cuando todo calla. Madrid: Visor Libros, 2013, p. 54.
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quinta-feira, 7 de abril de 2016



                            XXII

Algunas huellas
        no son de pasos
                    son de ausencias,
                                    no trazan, borran;

                          son el atajo hacia el final,
                                              son las que nos salvan
                                                                         del regreso.


   Mujica, Hugo. Cuando todo calla. Madrid: Visor Libros, 2013, p. 36.


Nota - Livro vencedor do "XIII Prémio Casa de América de Poesia Americana".
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quarta-feira, 6 de abril de 2016


Numa Buisenes School manifesta-se o Know How
que ultrapassa qualquer Dead Line a Low Cost.


Os olhos do anglicismo
Entram sem pedir licença
Ao jardineiro da língua
Na extensão da terra firme

E plantam todos os cardos
Ferindo a compreensão
Das nossas pontes em flores
Boca a boca de abundância
Num jardim feito de séculos
Que de mercado em mercado
Se rendeu aos compradores

    Puga, Ana Maria. Re-Cantos de Olhar. Fafe: Editora Labirinto, 2016, p. 44.
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segunda-feira, 4 de abril de 2016


       " Único encuentro  "

                   IV

De nuevo frente a frente
como recién nacidos
que aprenden a mirar
en la mirada lúcida del otro
infringes la aduana de mi cuerpo
con el hábito límpido del aire
eludes el confín
sin pausas de gendarmes ni requisas
corzas blancas que expulsan las colinas
y este doble retozar para eximirmos
de una deuda arcaica

estás conmigo en mí estoy contigo en ti no existe
               otra certeza más pura que este instante

Lo que dura es la arena
el sótano de savia de las hojas.
Con un reloj te irás como llegaste
a esta batalla de fábulas perdidas.

En la última estación
me embiste el autobús de los adioses.
Los líquidos se empiezan a enjugar. Las horas
acaban de cumplirse. Empiezo
a recoger mis pétalos caídos por el cuarto
una hebilla
un zapato
el recato partido en seis mitades
la vista, el olfato y sus contornos.

El rito de la higiene en un salón contiguo.

Dulce y violenta intersección
Único encuentro

Te acompaño, no, no te preocupes,
la puerta que se cierra.

  Pérsico, Marisa Martinez. He muerto... y he resucitado, Antología en homenage a León Felipe. Salamanca: EDIFSA, 2015, pp 119-120 ( Antólogo y coordinador: Alfredo Pérez Alencart).
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domingo, 3 de abril de 2016


             " Único encuentro "

                        I

Baja
de tu boca a mi pecho
hasta posar la trompa
abeja
en la región convexa
de néctar
que te atrajo.
Te escaparás, alada, cuando exhale
la última ronda de suspiros
que se extingue
en la cifra de tres horas.

Por mis piernas abiertas como un plato
quiero ver tu mandíbula de toro
pastar meticulosa
en el vaivén sin prisas del verano.

Entra en el ancla, barco en la bahía
último puerto que encalló en mi pampa.
Puerto apenas fundado
puerto en ruinas.

Fui la puta de un pueblo
donde la única puerta era la tuya.
Hice sonar la aldaba
vacilante
como quien se busca a sí misma:
la palabra secreta era mi sombra.
De par en par trepé las escaleras
sin treguas de café
por tu palacio.
Hoy que esa casa no existe
no sé cómo nombrarte
estoy en un exilio sin paredes
vegeto en los rincones oblicuos del deseo
haciendo agua en todas sus esquinas.

   Pérsico, Marisa Martínez. He muerto... y he resucitado, Antología en homenage a León Felipe. Salamanca: EDIFSA, 2015, pp 117-118 (Antólogo y coordinador: Alfredo Pérez Alencart).
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Nota - Marisa Martínez Pérsico nasceu em Buenos Aires em 1978, é Doutorada em Filologia Hispânica e tem lecionado, desde 2010, Língua e Literatura Hispânicas em diversas Universidades italianas. Publicou: "Las voces de las hojas" (1998), "Poética ambulante" (2003), "Los pliegos obtusos" (2004) e "La única puerta era la tuya" (2015), livro finalista do II Prémio Internacional de Poesia Pilar Fernández Labrador, publicou cinco monografias, coodirige a revista "Cuadernos del Hipogrifo" e tem publicados mais de sessenta artigos científicos sobre língua e literatura espanhola e hispanoamericana.
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quinta-feira, 31 de março de 2016


                 XXIX

Na catedral sentei-me e li, só,
Uma magra Revista e disse,

"Estas degustações nas abóbodas
Opõem o passado e o festival,

O que está para lá da catedral, lá fora,
Balança numa canção nupcial.

Assim é sentar e balançar coisas
De um lado para o outro até ao imóvel ponto,

De uma máscara dizer que se assemelha
De outra dizer que se assemelha

Saber que o balanço ao certo não cessa,
Que a máscara é estranha, apesar de se assemelhar."

As formas estão erradas e os sons são falsos.
Os sinos são o bramido de touros.

Porém o ilustre franciscano nunca foi
Ele mesmo senão neste fértil vitral.


   Stevens, Wallace. O Homem da Guitarra Azul & Outros Poemas. S/c.: Edições Guilhotina, 2015, p 43 ( tradução e apresentação de Luís Quintais).
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