quarta-feira, 3 de janeiro de 2018



        Somewhere in time


Não é que fosse uma paixão antiga:
ficou paixão só quando nos revimos
depois de o quê, senão bem perto disso,
ficou paixão e aí ficou antiga:
sabe, essas coisas ficam décadas, ainda
que nunca nem tenham de fato sido:
me perdoe se sou ou pareço prolixo:
nem sei se dói, mas uma coisa eu digo.


  Neves, Cláudio. ouvido no café da livraria. São Paulo: Editora Filocalia, 2016, p 39.
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         O Funeral de Heféstion


O inanimado nunca gerou tanto
Movimento, o deitado tanta altura.
Velas de púrpura, proas de pranto,
Navegam o ar, ao vento da loucura.
        A escassa coisa, um homem,
        E as línguas que o consomem
Fremem por se enlaçar na borra escura.

Símbolo é tudo, fantasmagoria
Quanto a luz forja e a mão ao céu levanta.
Sobre troféus, panóplias e armaria
Em cada canto uma sereia canta
        Pela voz de algum vulto,
        Reles bípede oculto
No templo tênue que no azul se implanta.

Urge enganá-lo, o hirsuto horror que assombra
Cada conviva do avesso e do inverso,
Rever o antes do ser, vestir a sombra,
Ser o logro e a graçola do universo.
        Que a ebriez da honra e do hoje
        Cubra a escória que foge
Ao som do rio primevo e preverso.

Quarenta homens de alto, arcos, quimeras,
Colunatas pintadas de ocre e ouro,
Hidras, centauros, grifos e outras feras
E o mais que pague o pérsico tesouro,
        Bandeiras tatalantes
        E as almas inebriantes
Da mirra, do aloés, do vinho e o louro.

E queima! Igual a nós. Maior que a pira
É o caos que nos erige, o amontoamento
Do que um homem não é e em que que se mira,
Portões de areia que abre e arrasa o vento.
        Maior, e um só segundo
        Cancela-o. Arde um mundo
Sob o sol a cada ínfimo momento.

Como aqui, nesta noite. Amor o ordena
E o fogo o cumpre. A cínica pilhéria
De ser ou de vencer, a inútil cena
Da vida esfaz-se em turva nódoa aérea.
       Há um urro e um coro. Após,
       Nem os menores pós
Restarão da nossa híbrida miséria.


   Bueno, Alexei. Desaparições, Antologia organizada e prefaciada por Arnaldo Saraiva. Porto: Editora Exclamação, 2017, pp 110-111.
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terça-feira, 2 de janeiro de 2018



          Ítaca


Quer tremam os céus
Que me auguram morte
Ou se esforça o deus
Da úmida cratera
Contra a minha sorte,
Ítaca me espera.

Cheire-me o gigante
Na inviolável furna,
Beba o mar bramante
A última galera
Na exaustão noturna,
Ítaca me espera.

Puxem-me as sereias
Com sonoros laços,
Prenda-me em suas teias
Aquela que impera
Nos mortais cansaços,
Ítaca me espera.

Lance-me bruxedos
A odiosa maga,
Mordam-me os rochedos
De dentes de fera
Onde o mar nos traga,
Ítaca me espera.

E lá longe brindem
Minha hora funesta,
Mesa e adega findem
Da mansão severa
Para a hedionda festa,
Ítaca me espera.

E então durmam tortos
De risos e vinhos,
Vivos quase mortos,
Neles meu ser gera
A ânsia dos caminhos.
Ítaca me espera!


  Bueno, Alexei. Desaparições (Antologia organizada e prefaciada por Arnaldo Saraiva). Porto: Editora Exclamação, 2017, 78-79.
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quinta-feira, 28 de dezembro de 2017



eu, poeta sem função, inquilino das palavras
oblíquas, torto como um rádio à beira de avariar,
se negamos a música dos outros, e sintonizamos
países extintos, ainda assim, nessa habilidade de
circo mudo, enfeito com pérolas o pescoço do
silêncio, ignoro os prodígios da civilização, e fico
a falar sozinho, dirigindo o trânsito das coisas
pequenas, evitando a contramão do amor, ele que
sempre tem razão, quando traz os recados mais
simples, na urgência de evitar a taxa máxima, que
sempre pagamos, quando pomos a falar o coração.


  Gonçalves, Daniel. Estes assuntos tristes. Fafe: Editora Labirinto, 2016, p 32.
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a noite entrou nos meus olhos, apagou a cor das
sombras, as paredes ficaram nuas, como os gatos
pardos, debaixo da lua fundida, preciso do teu
nome, no meu apelido triste, manda-me um lado
do teu rosto, para eu cunhar na minha sombra, uma
linha descosida, aguentando a língua do verão, se
ainda houver sinal, de termos descido da poesia,
e talvez bastasse uma porta mal fechada, que eu
ainda me lembro, como se chega ao resto da casa,
como se organizam as tuas gavetas, como respiras
debaixo dos livros, como dobras as cartas depois
de lidas, manda-me qualquer coisa, remendada
ou fora do tempo, metade de uma coisa que fosse,
uma aparição tua, já não peço tanto, tão pouco
que nem vale a pena rezar aos santos, já todos me
ouviram morrer em silêncio, à tua espera.


  Gonçalves, Daniel. Estes assuntos tristes. Fafe: Editora Labirinto, 2016, p 9.
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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017



as palavras quiseram amar-te, onde eu não podia
chegar, fintaram as sombras, evitaram os espinhos,
cantaram no teu salgueiro chorão, fecundando as
enxurradas, quando a poesia sobra do meu lado,
para cantar no teu.


 Gonçalves, Daniel. Estes assuntos tristes. Fafe: Editora Labirinto, 2016, p 5.
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segunda-feira, 25 de dezembro de 2017



              Les hirondelles


Ces coeurs d'oiseaux - D'oiseaux fidèles - Sous la
corniche - Les hirondelles - Dormaient chez nous

Le réverbère était - Heureux auusi - Dans sa lueur -
Brûlant chez lui - Bien à l'abri

Et les lumières - S'ouvraient partout - Pour voir la
nuit - Dormir chez nous


  Delève, Ernest. ça rime et ça rame, Anthologie Thématique des poètes francophones de Belgique. Loverval: Éditions Labor, 2006, p 25.
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                    LXII

      Aquí junto a la espera


Recuerdas que te dije, "dans l'océan du soir"
enciendo la memoria, mientras regresso al cuarto
para vaciar el día cargado de emociones,
en el cajón del fondo, donde van las heridas
mal curadas del pecho, junto a alguna nostalgia
que me asoma en los ojos para que no me olvide.
Y sonrío de pronto, porque sé que me quedo
con la parte más mía de mis cuatro paredes.

  Alonso, José Antonio Valle. Adagio en París. Valladolid: Editorial Azul, 2016, p 143.
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                    XLV

  He estado en el letargo


Recuerdas que te dije, de la melancolia
y he visto en la ventana asomarse la noche,
entrar hasta mi cuarto y quedarse conmigo
a dormir mi ceguera en sus maternos brazos.
Mientras a la otra orilla del lado de mi sueño
llamaban por mi nombre las ramas de los chopos
y el río se reia llevándose las hojas,
y yo tendí las manos, y me deshice en humo.


   Alonso, José Antonio Valle. Adagio en París. Valladolid: Editorial Azul, 2016, p 109.
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          Olhar de poeta


Um olhar de varar
poeira pele poros
roupas e paredes.
Olhar de levantar
escamas e máscaras.
Olhar de desvendar
a chuva vindoura
na nuvem de agora.
Ver a pastagem verde
debaixo de alva neve.
Enxergar no lago
a milenar geleira.
Adivinhar na ilha
montanha submersa.
Olhar a se lançar
além do presente
vendo no ovo a ave
e na ave o voo.


   Cabral, Astrid. Palavra na berlinda. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2011, p 69.
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           Mídia


Consanguínea sou
do silêncio e da sombra.
Rejeito a distância
entre palco e platéia.
Basta-me a pequena glória
de agradar alguns.
A alma não pede palmas
só apertos de mão
de igual para igual.


   Cabral, Astrid. Palavra na berlinda. Rio de Janeiro: Ibis Libris, 2011, p 27.
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              Vestíbulo


A los pies serenos de la vida,
en medio de la luz,
tiendo mi alma.
Avanzo lentamente, bajo el sol
que abarca
el horizonte. Quién me llama?
Mi vida es el murmullo de un adiós.
Detrás de mis pisadas
ya no hay nadie.
Estoy lejos de mí
y, sin embargo,
encima del silencio soy yo mismo.
   Vuelvo de nuevo
a hollar la claridad
que fecunda mi ayer adormecido:
en las adelfas de mi alma
hay un zorzal
que llora y se alimenta de mi herida.
Vuelvo a ser niño,
a perderme entre las olas
del trigo derrotado por la lluvia.
A unos pasos de mí, se alza el umbral
que habré de traspasar
para estar vivo.


  Andrada, Alejandro López. El horizonte hundido (Poesía desreunida). Madrid: Hiperión, 2017, p 81 (Prólogo y selección de Antonio Colinas).
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       Deserción

Pongo la mano encima del dolor.
Al pie de la espesura,
quién me llama?
Nos lo robaron todo. Nada queda:
sólo el amor pudriéndose en mi alma.


   Andrada, Alejandro López. El horizonte hundido (Poesía desreunida). Madrid: Hiperión, 2017, p 73 (Prólogo y selección de Antonio Colinas).
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       O olhar que arde - I 


Regozijo-me
pela facilidade
com que me dou
ao olhar que arde,
ao coração que permanece e avança
(em busca de outras leis,
de um outro universo
com outras religiões,
com outras letras)
em direção ao sol que já me enleia,
em direção à terra que, insistente, piso,
em direção ao húmus
que constantemente observo
e absorvo,
em direção ao som que me faz
dançar,
que me faz voltar de novo
para o olhar que arde
frente à paisagem
às vezes desértica e silenciosa,
às vezes a mostrar um rio
e as suas verdejantes margens,
às vezes a deixar entrever
o próprio olhar que arde
e se dissolve
na sua aérea casa
de ternura.


  Sousa, João Rui de. Ardorosa súmula. S/c.: Coisas de Ler Edições, 2016, p 30.
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     A escrita que tarda


A escrita do teu rosto já me tarda
e, embora tardia, é já abrasamento.
Sei o teu nome. Mas não sei o assombro
de te voar nos ombros e nas virilhas.

A escrita do teu rosto já demora
num corpo de páginas branquíssimas.
Estridente é a voz, esta que implora
pela luz das manhãs que te ornamentam.

Num cadeiral de sono e invernia
a escrita do teu vulto já me tarda.
Mas não desisto. Num estampido
de folhas e metal - num revolver
de brumas - reacendo o rumo
(o rubro) desta chuva
que há-de fazer crescer as tuas letras
nas páginas de mim, da minha alma.

  Sousa, João Rui de. Ardorosa súmula. S/c.: Coisas de Ler Edições, 2016, p 17.
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domingo, 24 de dezembro de 2017



       Ni con el pétalo de una rosa


Eso decían antes
los hipócritas voraces
los devoradores del alma
y del cuerpo de la mujer amada

Verdad era que para laceraciones y rasguños
más efectivas eran las espinas
que los delicados pétalos de la Rosa de Villalba

Hoy, los neo-hipócritas del siglo XXI
reivindican
de la boca para afuera
la igualdad de género
el respeto por los derechos que antes eran sólo del hombre
y que hoy reivindica reclama
la mujer

Explotadas, exiliadas, humilladas,
cargando los hijos a cuestas
y uno más en la barriga
transitan caminos de desprecio e injusticia
en los que en grandes pancartas
en anuncios del más luminoso neón
           se lee: 
Más ruido hace la hoja del árbol al caer
que la opinión de una mujer


 Vera, Enrique Viloria. Poemas Salmantinos. Salamanca: Centro de Estudios Ibéricos y Americanos de Salamanca, 2017, pp 59-60.
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sábado, 23 de dezembro de 2017


      Vivir Muriendo


                       El año que es abundante en poesía, suele serlo
                       de hambre.

                                Miguel de Cervantes



A lomo de tu jamelgo hirsuto
el mundo recorres
los entuertos continúan
el hambre   la guerra   la miseria
los exilios y los destierros
confirman lo sabido
el hombre nunca estuvo hecho para la paz

La mentira campea
la senda de la virtud sigue siendo estrecha
la libertad ya no brilla
el vicio es ancho y espacioso

Todos callan a conciencia
el que denuncia es confinado a una cárcel de Argelia
las palabras de los oprobiosos
están por encima de los hechos
El mundo gira en mala dirección

       Miguel

Nadie lee   muchos deamdulan por el ciberespacio
una puerta se cierra sin que otra se abra
rema la envidia
los oportunistas se durmen en la costumbre
se dificulta fabricar el proprio destino
para tu fortuna y la nuestra
quedan la poesía para cantarle a las cosas humildes
y amistades que nadie puede turbar


  Vera, Enrique Viloria. Poemas Salmantinos. Salamanca: Centro de Estudios Ibéricos y Americanos de Salamanca, 2017, pp 57-58.
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quarta-feira, 20 de dezembro de 2017


CAPÍTULO 18
Fósforos no escuro:
Sobre Negro Marfim, de Victor Oliveira Mateus


                   The great revelation had never come. The great revelation perhaps
                   never did come. Instead there were little daily miracles, illuminations,
                   matches struck unexpectedly in the dark.

                         Viriginia Woolf, To the Lighthouse (1982:249).
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   Seria de forma tacteante e de coração aberto que nos deveríamos aproximar, sem vergonha ou embaraço, do novo trabalho poético de Victor Oliveira Mateus. Uma obra que, pela densidade imagética a que se propõe e pela intensidade das meditações que desenha, desafia qualquer infrutífera tentativa de paráfrase. É essa a marca-de-água da grande poesia. Versos que, dizendo aquilo que têm para dizer, não carecem verdadeiramente do véu crítico que sobre eles, em vão, sempre nos atrevemos a lançar. E, assim, quase paradoxalmente, como que impera uma cintilante transparência, irrompendo do seio de uma escuridão avassaladora que permeia a tessitura deste Negro Marfim.
   A voz poética que percorre estas páginas aceita o rumo que Goethe traçou para o aprendiz de enigmas que todo o poeta é - "Faz da tua dor um canto", intima o autor de Poesia e Verdade. Em textos que combinam magistralmente um contido fôlego narrativo e a pregnância da expressividade metafórica, desfila perante o leitor um elenco de actores, que albergam uma prismática multiplicidade de olhares, intérpretes-fingidores que vão desempenhando os seus papéis, (...)
   Victor Oliveira Mateus põe em cena uma espécie de tragédia absoluta das nossas vidas, cabendo ao poeta o papel de precária testemunha de um tempo sem aura, de um alegre apocalipse (como lhe chamou Hermann Broch) em que, inapelavelmente, nos vamos afundando. (...)
   Em Negro Marfim, naufrágio com espectador também se lhe poderia chamar (para utilizar o título de um livro de Hans Blumenberg), o sujeito agónico assume a incumbência ética de captar fugazes instantâneos de múltiplas vivências, testemunhando um mundo em convulsão, uma espécie de estéril e exaurida Waste land (...). Poética, pois, da constatação da perda, tangenciando a problemática do desconcerto do mundo, de camoniano tradição (...).
   Estamos, pois, perante uma poesia indagativa que se demora nesse tactear dos escombros, vasculhando as ruínas, em demanda daquilo a que Benjamin chamou a frágil força messiânica a que o passado tem direito. Seria, porventura, frutuoso ensaiar uma análise cuidada do livro em apreço à luz das considerações benjaminianas em torno da estética da ruína e da noção de melancolia. (...) É como se, como nos diz Benjamin, no seu persistente alheamento meditativo, a melancolia absorvesse na contemplação as coisas mortas para as poder salvar.
(...) A tragédia, a escuridão, tem sempre a mão estendida às estrelas; nela habita uma semente de esperança, uma espécie de rasto de luz que, recusando extinguir-se, brilha como uma pérola negra que, embora negra, é ainda pérola. Como do fundo do inferno saiu Dante para voltar a ver as estrelas ( e quindi uscimmo a tiveder le stelle), (...)
   Trata-se de uma poesia dilacerada e dilacerante. Em Negro Marfim, Victor Oliveira Mateus pinta, efectivamente, um grito perante um universo que se desmorona (...) é o canto que emerge depois da harmonia, após a barbárie medrante no seio de um mundo despido de ética e amputado de beleza. (...)
   Trata-se de um olhar disfórico e intransigente e nisso se aproxima de um escritor como Rui Nunes: "o negro é a intimidade/ de todas as cores, no Outono de um passeio no reno/:/ O negro é o estrume do luto," lemos em Uma Viagem no Outono (Nunes, 2013:33). Leio Negro Marfim como um inadiável apelo contra o servilismo e o esquecimento, contra o empobrecimento da imaginação e o aviltamento da beleza, contra o padronizante e estupidificador poder económico (...) e a cinzenta era da 'burrocracia' - para utilizar o magistral e justo neologismo de Herberto Helder.
(...) O sujeito poético ora espia, ora é espiado, numa intrincada teia de olhares que confunde presa e caçador, voyeur e objecto de desejo.(...) esses súbitos e delicados sobressaltos como que redimem, sendo, no dizer de Virginia Woolf, "iluminações, fósforos que se acendem inesperadamente no escuro", e que dão voz a uma palavra intermitente, tão precária e gloriosa como a vida.


  Soeiro, Ricardo Gil. Poéticas da incompletude. V. N. Famalicão: Edições Húmus, 2017, pp 157-164.
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segunda-feira, 18 de dezembro de 2017


NA MIÑA CAMA agora viven
dous paxaros amarelos...
O primeiro esfúmase sereno
entre zarapatas de néboa.
O outro ecoa na sombra da
lapa consumida.


   Valle, Luís. Para que eu beba. Cangas do Morrazo: Edicións Barbantesa, 2017, p 46.
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domingo, 17 de dezembro de 2017



NA MIÑA MENTE bailan as
brizas atadas às ráíces das
árbores que saben chorar.
Diluvia no mundo enteiro
e todo é máxico, coma os
soños no corazón do neno
irado. Prendo a lámpada.
O canario respira contra a luz,
à marxe do pensamento e do
soño.


  Valle, Luís. Para que eu beba. Cangas do Morrazo: Edicións Barbantesa, 2017, p 36.
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