Mostrar mensagens com a etiqueta Adalberto Alves. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Adalberto Alves. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Sessão de Apresentação do livro Navegação Imperfeita de Adalberto Alves no dia 28 de setembro de 2017, no Salão Nobre do Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa. Na mesa, e da direita para a esquerda: Dr. Luís Raposo (anterior diretor do Museu), Victor Oliveira Mateus, Ronaldo Cagiano, o Diretor do Museu Nacional de Arqueologia, Adalberto Alves, o Presidente do GAMNA.
.
.
     A Caixa dos Retratos


abro a velha e grande caixa de retratos,
com rostos antigos,
fanados como sombras.

desço a corda da memória e resgato
aqueles que posso e mais amei.

mas muitos, ai de mim, conheci-os
mas já não sei quem são.

olham-me atónitos
como que censurando o esquecimento.

consola-me o saber que, pela certa,
um dia serei na caixa um retrato mais
e alguém me olhará sem saber quem fui.

e restar-me-á a companhia
daqueloutros que lá estão...


 Alves, Adalberto. Navegação Imperfeita. Fafe: Editora Labirinto, 2017, p 75.
.
.
.

quero lá saber!
o mundo começa em mim
e em mim se há-de perder.

o corpo não tem avesso
e o espírito é de gesso.

no facebook eu sou
o que mais arrebanhou
amizade angariada.

deixem-se de profundidades!
que o que importa, de verdade,
... é uma boa gargalhada.


  Alves, Adalberto. Navegação Imperfeita. Fafe: Editora Labirinto, 2017, p 52.
.
.
.

domingo, 1 de outubro de 2017

Apresentação do livro Navegação Imperfeita no dia 28 de setembro de 2017, no Salão Nobre do Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa. Na mesa, e da direita para a esquerda: Dr. Luís Raposo, Victor Oliveira Mateus., Ronaldo Cagiano, Diretor do Museu Nacional de Arqueologia, Adalberto Alves, Presidente do GAMNA.
.
.
.
no dia em que eu morrer,
     nada de cânticos
     nem prédicas
     nem louvores
     nem cruzes
de deuses indiferentes,
e nem sequer lágrimas,
já que elas,
como dizem os Navajos,
nos impedem de ver.
.
.
à minha cabeceira
apenas, se possível,
a candeia do luar
e um copo de rumor do mar.
.
.
.
  Alves, Adalberto. Navegação Imperfeita. Fafe: Editora Labirinto, 2017, p 24.
.
.
.

segunda-feira, 3 de outubro de 2016



    " A poesia é quem cria o poeta "


Deveras, a poesia não se pode inventar.
Ela é que a si mesma se modela, vinda de longe,
Por entre frondes de sinapses e neurónios.

E começa a escavar sulcos no silêncio saturado:
Neles semeia sílabas, que se tornarão palavras
De onde florescerão hálitos luminosos,
favos de sonhos e o pão solene do núbil amor.

Depois toma conta da febre inocente do poeta
E faz o esconjuro do espectro das certezas
Que, no apelo da lua, lhe tolhe as frágeis asas.

Então escreve usando a mão livre do poeta.
Abre-lhe a boca flagelada pelo tédio
Para que brotem margens de oiro em suas feridas.

Por fim, retira-se ligeira.
E uma brisa sopra do canto perfumado.


 Alves, Adalberto. Cintilações: Revista de Poesia e Ensaio Nº 1, setembro 2016. Fafe: Editora Labirinto, 2016, p 9 (Coordenação: Victor Oliveira Mateus).
.
.