Mostrar mensagens com a etiqueta José Enes. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta José Enes. Mostrar todas as mensagens
domingo, 17 de junho de 2018
Voltaste
Vejo, Senhor, que não me abandonaste.
Tenho vivido distraído e alheio
como um helianto a descair da haste,
mesmo quando sopeso o cálix cheio.
Oh! vida impessoal e sem diálogo,
chupando o fumo à trela com qualquer,
mirando as coisas como num catálogo
na saga dum perfume de mulher.
Mas hoje de novo à porta me bateste.
Há brasas sob as cinzas da fogueira
à espera da chama que acendeste
e eu por medo e cómodo apaguei.
Não sou o que viste a vez primeira.
Dar-me-ás de novo teu amor de Rei?
Enes, José. Obra Poética. Ponta Delgada: Letras Lavadas edições, 2018, p 137.
.
.
.
sábado, 16 de junho de 2018
A Meio caminho
Quando à noite insomne saboreio
o amargor mortal dos meus limites,
por mim todo se estende o receio
do destino que sem eu saber me dites.
Aonde eu via meus dias já em meio
da estrada possível? Que me fites
vendo eu só que me vês; que em cheio
me toques de presença; que me grites
um eco mais fundo mais fundo de mim?
E eu não te saiba senão presença nua
sem figura, sem palavra, sem fim;
é como se eu fosse um cão lançado à rua
e sentisses saudades de um jardim
onde houvesse um rosto a amar ao sol e à lua!
Enes, José. Obra Poética. Ponta Delgada: Letras Lavadas edições, 2018, p 90.
.
.
.
Subscrever:
Mensagens (Atom)
