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quarta-feira, 25 de junho de 2014
" Epitáfio "
Eu um dia serei uma poalha de vento
pousando inadvertidamente em tua face
e me sacudirás
Eu um dia serei uma réstia de chuva
caída por acaso em tua fronte
e me sacudirás
E eu um dia serei a última lembrança
imponderável já na tua mente
e então me esquecerás
Sant'Anna, Glória de. Amaranto, Poesia 1951 - 1983. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1988, p 220.
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segunda-feira, 23 de junho de 2014
" Batuque "
A negra salta e não cansa.
Entre o denso mar pálido
e a clara poeira,
a corda balança.
A negra se ergue e sorri.
Entre o leve céu pálido
e as dolentes árvores
e o tambor que vibra.
A negra se ergue e é esguia.
Dentro do batuque
e da ritmada corda
e do morto dia.
Não há segredo na boca tranquila da negra,
nem antigas e vãs perguntas que se percam,
nem místicas dúvidas ou esquecidos gestos.
Ela se ergue como uma lança, e entre o céu e a poeira
simplesmente
dança.
Sant'Anna, Glória de. Amaranto, Poesia 1951 - 1983. Lisboa: Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1988, p 68.
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quinta-feira, 19 de junho de 2014
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