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segunda-feira, 15 de setembro de 2014



Dizia-me: temos asas que despontam impacientes
e julgamos nós que são asas de condor
quando na verdade são míticas asas de cera...

Mas quê! A ambição é um labirinto de ruelas escuras,
queremos, insanos, roubar os céus aos pássaros,
abraçar os astros como quem abraça os amigos
e fugir, fugir para sempre desta ilha circular...

Porque somos filhos de Dédalo,
o nosso fim é o mar...


     Assim, Paulo. Árvore Genealógica. Fafe: Editora Labirinto/ Núcleo de Artes e Letras, 2014, p 58.
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domingo, 14 de setembro de 2014





Não te esqueças - dizia-me a minha mãe -
de estender os teus poemas na varanda:
fechados, ganham ferrugem e não soam muito bem aos ouvidos;
fechados, tilintam conforme metais impuros das metalurgias
e têm a cintilação embaciada de zebre das estrelas longínquas.
Fechadas, as palavras amolecem e pegam-se umas nas outras,
tornam-se difíceis de articular, enrolam-se na mecânica
das línguas.
Fechadas, em vez de leres liberdade lês obscuridade
e em vez de leres amor lês bolor.
Eu sei, mãe, eu sei.
As palavras querem-se ao sol.
A poesia quer-se ao vento.




   Assim, Paulo. Árvore Genealógica. Fafe: Editora Labirinto/ Núcleo de Artes e Letras, 2014, p 36.
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