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sexta-feira, 16 de janeiro de 2015



   "  Pas de  deux  "


O homem que entrou cambaleando
Não era eu

Nem o que ouviu palavras
Que rodavam, rodavam, rodavam

Era um corpo pesado contra a luz
Discutindo coisas sem sentido
Com um corpo que não era meu

Passou calado, sob teus olhares severos
Como se carregasse todas as quimeras do mundo

Por educação e princípio
Ofereceste a porta da rua à poesia.


    Benini, Marcelo. Fazenda de cacos. São Paulo: Editora Intermeios, 2014, p 55.
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   " Problema oblíquo "


Tenho um pássaro nas mãos
O que fazer
Soltá-lo e perdê-lo
Ou guardá-lo e perdê-lo?


 
  Benini; Marcelo. Fazenda de cacos. São Paulo: Editora Intermeios, 2014, p 11.
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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015




Um dia houve um cismar de adélias
Na beira do rio
Os peixinhos se regalaram de sol
Os bem-te-vis de azul
Sob o sol da tarde as cercas crinavam de éguas
E os arames se resignaram das farpas,
Como rosas
Os canários ignoravam os espinhos
Para docemente pegar cabelos baios
E nidificar o mundo
Os canários chegavam o mundo para o amarelo.
Do outro lado, o rio plangia.




   Benini, Marcelo. o capim sobre o coleiro ou tentativas para ausência de chão. Brasília: Edição do Autor, 2010, p 67.
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Observava que em cada bar existia uma gaiola.
Todo homem quer ser passarinho
Ou toda vida quer ser gaiola?




Benini, Marcelo. o capim sobre o coleiro ou tentativas para a ausência de chão. Brasília: Edição do Autor, 2010, p 19.
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