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segunda-feira, 10 de agosto de 2015



  " Versos do desconsolo "


fiquei com pouco tempo
para dar à claridade,
e as abelhas já não vêm
pôr mel dentro das rosas.


às vezes, a minha sombra
é um pedaço de risco,
qualquer coisa desavinda
a que o Sol quer dar sustento.


quem disse que a memória
é sempre muito antiga?


quem falou de uma aranha
para tecer a eternidade?


 
    Botelho, Emanuel Jorge. Fecho as cortinas, e espero. Lisboa: Averno, 2014, p 19.
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domingo, 9 de agosto de 2015





   " Epígrafe para um livro de horas "


resta muito pouco de tudo o que se quis;
um sorriso de bolso,
duas sextas-feiras de dar sorte,
e um quase nada de Lua.


o chão ficou sem pássaros
para catar sementes,
semeado, por inteiro, com pregos de cruz.


aqui já não se morre de morrer,
e até a morte está cansada.


e agora?




  Botelho, Emanuel Jorge. Fecho as cortinas, e espero. Lisboa: Averno, 2014, p 9.
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