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sábado, 11 de abril de 2015

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        "  Nostalgia  "

Não sei ha quanto tempo escureceu...
Adormece... Eu ando tão cansada!...
Resava quando o sono me venceu -
Meu Deus!... Já vem rompendo a madrugada!

Que estranha somnolencia que me deu!...
Olho atravez dos vidros - a geada,
parece o mostruario dum hebreu... -
refulgem pedrarias na ramada!

O Sol, fonte doirada e faiscante
incendiou os vidros da janela
e irradia na relva verdejante...

- Mas a luz da minha alma não voltou...
Perdi-a, e nunca mais eu soube dela
desde o dia em que a tua m'a levou!


  Teixeira, Judith. Castelo de Sombras. Lisboa: Imp. Libanio da Silva, 1923, pp 49 - 50.
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Nota - o post segue fielmente a ortografia e a sintaxe do original.
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sexta-feira, 10 de abril de 2015

Nota - os poemas de Judith Teixeira seguem a grafia da época.




            "  Duma Carta  "


Escrevi-te hontem
somente para dizer
das minhas maguas e do meu amor...
O sol morria...
Tudo éra sombra em redor
e eu..., ainda escrevia...


A pena sempre a correr
sobre o papel,
deixava sintilações,
nas pedras do meu anel!


E a pena corria...
Nem precisava ver, o que escrevia!...


Anoitecêra.
...............................
Como em toalha de altar
a mesa
revestiu-se de luar!...


Nascêra a lua.
E a pena, nos bicos leves,
dizia ainda:
- Sou tua!
Por que é que me não escreves?
mas o papel acabou,
e a pena continuou:
Por que é que me não escreves?
O meu amor é todo teu
Só eu te sei amar!
- Só eu!...




    Teixeira, Judith. Castelo de Sombras. Lisboa: Imp. Libanio da Silva, 1923, pp 13 - 14.
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