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sexta-feira, 26 de junho de 2015

   " Teu olho fixa a bruma "


O teu olho embebido de tristeza
vê a bruma pesada de melancolia,
Virgílio e o mar da sua fantasia,
e tu carente de absurdos e beleza.


O teu olhar é mais olho do que sente
interiormente que do visual exterior
será tua alma vagamente ausente
quem entristece a bruma da paisagem?


E face ao ciclone, ao furacão, revolto
há-de teu olho resistir mesmo feliz,
e ser abstracção do violado real?


Dividido entre o naufrágio e a monção
entre o que és e o que vês, aceno vago
e desespero interior teu olhar voga.


   Lemos, Virgílio de. A Dimensão do Desejo. Maputo: AMOLP, Associação Moçambicana da Língua Portuguesa, 2009, p 106.
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terça-feira, 19 de maio de 2015

 


   "  Desfolhado Jaz um Deus  "


Com teus órgãos genitais
também se brinca
sem pedir licença
a ninguém,
como se chocalhasses
ovos de ouro
num colchão de penas,
rei da tua
solidão.


Com os órgãos genitais
dos outros
também se brinca
mas é da praxe
mútuo consentir
a tesão.
De qualquer modo, tua
cabeça se enche
de pássaros e peixes,
suruma cresce depressa
entre teus dentes.
A meio do tomatal
dançam
diamantes. Acima
do céu, desfolhado
jaz um deus
mortal e
cego.


 
  Lemos, Virgílio de. A Dimensão do Desejo. Maputo: AMOLP, Associação Moçambicana da Língua Portuguesa, 2009, p 17.
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