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sábado, 24 de março de 2018


                          Café


Desencarno arábias
de uma xícara morna
de café.
E um fio negro
me assedia a boca.

(Através da janela
o galho de pitanga
ostenta seu adorno
encarnado).

Viajo
pelo negror do pó:
Dar-El-Salam,
Bombaim,
Áden
(sem Nizan, sem Rimbaud)
as colinas ocres,
a poeira dos dias.

De onde vem o grão
dessa saudade?

Desentranho arábias
dessa xícara fria.
Enquanto aguardo o dia
que não chega.


  Norões, Everardo. Retábulo de Jerónimo Bosch. Rio de Janeiro: 7 letras, 2008..
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quarta-feira, 21 de março de 2018


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 O canário
debulhava trinados.
Na rede
fluíam fábulas.
Sobre muros e telhados
os urubus empinavam
lições de trevas.
No alto,
apenas uma nuvem
me escutava...
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 Norões Everardo. Retábulo de Jeróniomo Bosch. Rio da Janeiro; 7 Letras, 2008.
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